domingo, 1 de maio de 2011

O sol inunda o mundo de azul. O azul pode afogar a alma em liberdade

Mas um só olha para o cinza do chão e outro só olha para o amarelo de suas mãos.

Outro descobre que o pão mofou, solta uma palavra grossa no ar e a comida no lixo.

Um acha um pão mofado na montanha e dança de alegria com a alvorada. Descobre o azul.

Mod e rn ida de

Mais do que prédios, carros e comércios, a cidade emprediada é marcada por sombras que correm a noite numa eloqüente busca de se tornar luz.
Surgem quando cai a noite. Se arrastam pelo chão procurando escapar dos pesos dos dias insanos que tem de engolir para poder seguir com a vida. Na maioria são jovens. Querem vícios modernos, embriagam-se quase que por obrigação social. Talvez realmente o seja. Seus fumos talvez sejam para sentir na pele o que fizeram com o mundo para estarem lá, naquele labirinto de torres. Rá. Ainda se fossem apenas auto-punições, se ficassem apenas nessa busca por agentes catárticos da libertação mental e carnal. É uma busca compreensível, pois é apenas um pretexto para a real busca: a busca de si, da comunicação perdida com os outros e consigo mesmo, de esperar conseguir falar para seus companheiros de busca o quanto são importantes, queridos, e que aquela busca é uma bobagem, porque não é necessário andar e se intoxicar, basta um carinho e um coração aberto. Sim, essa busca é essencial. A sociedade a obriga. Nós nos obrigamos, queremos ser humanos, ser compreendidos e amados. Queremos compreender, humanizar e amar o outro. Queremos um só corpo com mil idéias. Queremos firmar nossos ideais. Queremos! Querê-lo-emos?

Ah, ainda se fosse isso, essa busca eterna e poética. Mas o homem tem medo de segui-la. No meio do caminho acha uma solução mais fácil. Fingir ter chegado ao que buscava. Ah! Genial, genial. Entram em quartos apertados, para esquecer que há aquele mundo lá fora, para despejar toda sua energia, para liberar seus instintos milenares. Para fingirem ainda ter instintos, fingirem, e fingem mal, mas tão mal que se acreditam. Vivem seu mundo dv 6 horas, para voltarem, dormir e no outro dia fingir que teve um grande crescimento interno porque pegaram a pessoa X. A Y. E a Z. Suas concepções de mundo mudaram para sempre porque ouviram a música ‘blah’ na hora tal. Fatal. Do lado de fora da parede um menino aspirante a poeta chora ao ver uma mãe tirando a blusa para o filho não passar frio. Ninguém o ouve. Ninguém a vê. Ninguém sente frio. Ninguém muda nenhuma concepção. Ninguém se arrisca a parar de murar sua visão. Claro. Não querem lembrar que existe a busca, encontraram a solução, a cura de todos os males. A busca se perdeu, vivem agora a busca da rota de fuga da busca suprema.

Enquanto. Um punhado. Muito pequeno. De aspirantes. A poetas. A homens. A pureza. A não cura, mas compreensão de toda a angústia. Caminham errantes nas ruas. Não sabem o que fazer. O caminho tem grama alta, tem bixos e faz frio, muito. Saem de bar em bar, mas, ao contrário dos outros, esses não querem apenas a panacéia, também querem um sorriso amigo em quem estará lá dentro. Querem encontrar outros aventurosos, para ver e mostrar que existe quem tem essa busca. Querem também se perder no meio dos prédios, seguir um caminho novo, para poder se reencontra em outro ponto do ser. Querem se perder na filosofia e poesia que jogam no ar. Querem se perder nas lembranças. Nos olhos e corações que se cruzam e se entrelaçam. Se perder do tempo, poder ser criança e ermitão misturado. Tudo com a poesia nos pés para os guiar, dar forças e se espalhar pelo corpo todo.
Talvez essa perdição que conseguem chegar seja muito próximo, ou ate mesmo exatamente, aquilo que procuravam ao iniciar sua Aventura.
O dia acaba. A Noite acaba. E eles conseguem acompanhar esse processo, pois os olhos estão sempre no céu (caçando algum pedaço de poética para laçarem). Mas não mais se sentem menos ou mais eles dependo do horário. São eles. E ponto