Não. Não foi o suficiente iluminar a noite. Nunca eh o suficiente. Pois nada eh demais para alguns pequenos deuses. O cehu não foi o limite, tambem não o há de ser a vontade da natureza. Com um estalar de dedos disse que o mundo não podia descansar. Assim a noite se fez iluminada e barulhenta, sem escapatórias para o sossego.
Mas, imitar o Sol era pouco, queriam mais. Claro, esses seres são muito maiores que o Sol, devem fazer algo diferente, com poder maior.
então pintaram o amarelo da luz de azul. Pintaram o amarelo da luz de laranja. Pintaram de roxo. De rosa. De verde.
Com esse poder supremo, transformaram primeiro algumas cavernas em passarelas coloridas, depois essa benção vazou para a cidade, agora tudo não passa de um grande circo, luzes de todos os lados brilhando.
Claro, esses sobre-deuses foram feitos para brilhar, ser o centro das atenções.
Não sobra espaço para o vazio, tudo tem que ser ocupado, tudo tem que ter materia, o espaço já não passa de um papel sem brancos, para suprir o vazio da alma.
Se esqueceram que essa luz que brilhava por fora ofuscava aquela luz de dentro que a muito tempo dançava com todos os homens, e hoje, se esconde, com medo de ser colocada dentro de um holoforte.
e o homem que tem a verdadeira luz está no topo de uma árvore, onde ninguem o ouve, fingindo ser vagalume. Fugindo das trevas coloridas da cidade. Com ele brincam as estrelas e a lua.